O que impede a implantação do embrião de acontecer

Quando decidimos engravidar a primeira preocupação em relação a fertilidade que surge é com a ovulação. Muitas mulheres se mostram paranoicas em relação a isso e se esquecem que embora essencial, a ovulação não é a única responsável pelo sucesso ou fracasso dos treinos. 
Meses, as vezes anos, a espera de uma gravidez que não surge. Exames hormonais feitos e refeitos, tudo OK com a ovulação e então surge a pergunta. Porque não consigo engravidar? Afinal o que impede a implantação do embrião?

Os hormônios são importantes para implantação do embrião 

Para que uma gravidez ocorra, tudo tem que estar trabalhando perfeitamente. Ovários, trompas e útero tem que fazer seu trabalho de forma correta e ordenada. A hipófise também é parte importante. A hipófise  é responsável pela liberação de hormônios essenciais para que uma gravidez aconteça.

Ter a liberação adequada dos hormônios envolvidos, liberar o óvulo, e esse ser conduzido livremente até o útero,  de nada adiantará se houver alguma dificuldade de implantação do embrião no endométrio.
Exames devem ser feitos para se certificar de que a cavidade uterina não tem anomalias, pólipos, miomas ou aderências que possam dificultar a implantação do embrião e seu desenvolvimento

O exame mais indicado para uma investigação minuciosa do útero é a vídeo histeroscopia (visualização da cavidade do útero através de endoscópio), que além de diagnosticar as dificuldades citadas, pode encontrar processos inflamatórios como endometrite não acusado em outros exames. Esses problemas podem atrapalhar ou impedir a implantação do embrião.


Células do endométrio podem dificultar a gravidez 

Outro empecilho para implantação do embrião  é a ausência de algumas proteínas do endométrio que auxiliam a implantação do embrião, facilitando esse processo. Através de pesquisas, já foram encontradas mais de 50 proteínas, porém as mais comuns são a Claudina – 4 e LIF ( fator inibidor da leucemia ou fator essencial para implantação).

Quando encontradas em níveis anormais, a implantação do embrião fica prejudicada. Não chega a impossibilitar a implantação do embrião, mas pode reduzir as chances de sucesso. Embora esse tipo de diagnóstico seja raro, e só deva ser pesquisado em situações especiais, há que se levar em conta essa possibilidade.

Espessura do endométrio e gravidez 

A espessura do endométrio é um fator crucial para o sucesso da implantação do embrião. Em casos de afinamento do endométrio, principalmente após indução de ovulação, é necessário reposição hormonal através de estradiol, progesterona, aspirina, entre outros medicamentos  vasodilatadores que deverão ser indicados pelo médico responsável.

Algumas outras questões podem prejudicar a implantação do embrião, uma delas é a hidrossalpinge, processo inflamatório que dilata as trompas e provoca a formação de conteúdo líquido no seu interior. Prejudica o ambiente uterino, dificulta a implantação do embrião e aumenta a incidência de abortos. A retirada da trompa afetada aumenta significativamente as taxas de gravidez, pois o conteúdo que neles existiam e que provavelmente escorria para o interior do útero impedindo a gravidez, deixa de existir. O diagnóstico de hidrossalpinge pode ser feito pelo ultra-som, histerossalpingografia e pela videolaparoscopia.

A importância da qualidade dos óvulos para implantação do embrião.


A qualidade dos óvulos também é um fator importante. Óvulos “fracos“, mesmo que fecundados, muitas vezes não conseguem se transformar em bons embriões e acabam por não evoluir. O ácido fólico é a única vitamina que age diretamente na qualidade dos óvulos. Por isso é importante que o uso dessa vitamina comece no mínimo 3 meses antes da ocorrência de uma gestação.
O ácido fólico também pode ser encontrado em alimentos como espinafre, agrião, feijão, levedo de cerveja, soja, fígado e verduras verdes escuras em geral.
Outro motivo pouco conhecido é a dificuldade do óvulo fecundado se libertar, sair da membrana que o envolve para só então conseguir se fixar no endométrio. Em casos de reprodução assistida como a FIV, é possível utilizar uma técnica chamada assisted hatching, que consiste basicamente em fazer um pequeno orifício nessa membrana, facilitando a saída do ovo fecundado. Para os outros casos, IA e fecundação natural, o que beneficia esse processo é a ingestão de ômega 3 e 6 que trabalham a favor da ovulação. Encontradas em alimentos como salmão, óleo de canola, azeite, sardinha, amêndoas e linhaça, são as gorduras benéficas ao organismo. Esse tipo de gordura permite que a membrana que envolve o óvulo se mantenha mais propícia à penetração do espermatozoide e a saída do embrião. Torna essa membrana mais fluida.
Tatiana da Costa

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