PRESERVAÇÃO DA FERTILIDADE FEMININA: Congelar óvulos ou tecido ovariano?

  • Estudo revela resultados similares, porém as indicações são diferentes.
  • Pesquisa realizada em parceria entre o Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI) e o Hospital La Fe de Valencia foi apresentada hoje durante o congresso mais importante de reprodução humana, que este ano acontece em Genebra, Suíça.

GENEBRA, 3 DE JULHO DE 2017

O estudo realizado pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI) e Hospital La Fe de Valencia com uma amostra de 1759 pacientes (1024 óvulos e 735 tecidos ovarianos congelados) apresentado hoje no 33º Congresso Europeu de Reprodução Humana (ESHRE) revela que não existem diferenças significativas com relação à taxa de nascimentos entre as duas técnicas de preservação da fertilidade, o que significa que ambos tratamentos são igualmente eficazes.

Indicada para pacientes que precisam iniciar quimioterapia para prevenir o risco de perder a fertilidade como efeito colateral do tratamento, a preservação da fertilidade também tem sido utilizada para o planejamento da maternidade aos 40, onde a qualidade dos óvulos muitas vezes impede as mulheres de engravidarem naturalmente.

O IVI foi uma das primeiras instituições do mundo que conseguiu congelar óvulos através da técnica que vitrificação, o que evita a formação de cristais de gelo que prejudicam a recuperação das células ao serem descongeladas. Esta técnica mudou drasticamente as taxas de sobrevivência dos óvulos; que atualmente é praticamente total. No caso do congelamento do tecido ovariano, o procedimento cirúrgico é realizado em colaboração desde 2012 pelos coautores do estudo.

Dra Genevieve Coelho, especialista em reprodução humana e diretora da clínica IVI Salvador que está participando do congresso, explica que é muito importante entender as situações onde cada uma dessas técnicas é indicada. “Nos casos onde há tempo suficiente antes do início do tratamento de quimioterapia e que a paciente já tenha entrado na puberdade, provavelmente a melhor alternativa seria congelar óvulos, pois esta técnica vai oferecer praticamente a mesma chance de gravidez no futuro, mas é menos invasiva que o congelamento do tecido ovariano”, explica a especialista.A criopreservação do tecido ovariano é recomendada para pacientes que ainda não atingiram a puberdade, já que nestes casos é complicado realizar uma estimulação ovariana para captar e congelar óvulos. Segundo Dr Cesar Díaz-Garcia, autor principal do projeto, a preservação do tecido ovariano é mais indicada para pacientes com tumores muito agressivos como por exemplo o linfoma de Burkitt, que limita o tempo hábil para o processo de congelar óvulos antes do início da quimioterapia

Congelamento de óvulos por meio de vitrificação 
A vitrificação de óvulos consiste em estimular os ovários com hormônios similares aos que são produzidos durante o ciclo menstrual para potencializar a produção de mais óvulos maduros e extrair os mesmos com o uso de uma agulha muito fina. Posteriormente, os óvulos coletados podem ser conservados por tempo indeterminado (inclusive décadas). No caso de congelamento realizado antes do tratamento contra o câncer, os óvulos congelados podem ser utilizados quando a paciente receba a alta para engravidar. Em casos de congelamento por fatores não médicos, é recomendável que o projeto da gravidez não supere os 50 anos da mulher.

Criopreservação de tecido ovariano
Consiste em extrair um fragmento da superfície do ovário através de laparoscopia, que é uma cirurgia minimamente invasiva. O procedimento dura em torno de vinte minutos, onde a paciente recebe alta no mesmo dia, inclusive podendo iniciar a quimioterapia algumas horas depois. Posteriormente o tecido é congelado, podendo permanecer neste estado durante anos. Se após a alta para engravidar naturalmente a paciente apresentar uma falha ovariana provocada pela quimioterapia, é possível implantar o tecido que foi congelado anteriormente através de uma nova intervenção cirúrgica, o que permitirá a recuperação da funcionalidade do órgão, tanto no aspecto de fertilidade quanto na produção de hormônios, revertendo a menopausa precoce que muitos tratamentos oncológicos provocam e permitindo a gravidez espontânea.

Sobre o IVI – RMANJ

Com sede em Valência, na Espanha, o Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI) possui mais de 70 clínicas em todo o mundo, incluindo Brasil, e é referência mundial em medicina reprodutiva. O grupo conta com uma Fundação, um programa de Docência e Carreira Universitária e recentemente realizou a fusão com o grupo norte-americano RMANJ elevando ainda mais sua relevância mundial.
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